Quase dois séculos de história: conheça a evolução do Marketing de Conteúdo

É verdade que a era digital evidenciou as estratégias de comunicação que usam o Marketing de Conteúdo, o que pode nos dar a falsa impressão de que essa forma de criação e compartilhamento de informações é algo característico do dias atuais. Mas na verdade a divulgação de conteúdos acontece desde o século 19 e foi sendo aprimorada e adaptada ao longo do tempo para atender às necessidades das pessoas que precisam comunicar suas ideias de alguma maneira.

Por isso, vamos apresentar brevemente esse caminho que o Marketing de Conteúdo percorreu até aqui e mostrar, por meio de alguns cases, como ele conseguiu atingir seu objetivo principal que é de conquistar o interesse das pessoas através de conteúdos ao invés de propaganda pura e  simplesmente.

Século 19

Em 1835, precisando alavancar as suas vendas, o jornal The New York Sun decidiu criar uma estratégia que pudesse atrair mais leitores para as bancas: uma série de 6 artigos que noticiavam a descoberta de vida na Lua. Isso mesmo! As histórias davam conta de que cientistas haviam encontrado animais, plantas, oceanos e até praias no único satélite natural da Terra. O resultado não poderia ser outro: só no primeiro dia, mais de 15 mil jornais foram impressos, o que fez do diário o jornal com maior circulação na época.

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Anos mais tarde foi a vez da John Deere inovar por meio de conteúdo. Buscando se tornar uma referência em recursos para a agricultura, a empresa lançou em 1885 a revista The Furrow. O principal objetivo da publicação era de oferecer informação relevante ao agricultor a fim de tornar o seu negócio mais lucrativo e próspero. A relação de confiança estabelecida entre a empresa e o público foi tanto que a revista se tornou um sucesso de vendas: em 1912, mais de 4 milhões de leitores já eram fiéis à marca. A The Furrow ainda existe, e atualmente é veiculada em 40 países e em 12 idiomas diferentes.

Século 20

No ano de 1900, apostando em uma estratégia ousada de distribuição de conteúdo, a empresa de pneus francesa Michelin lançou o Guia Michelin. Com mais de 400 páginas, o guia foi pensado como uma forma oferecer informações sobre manutenção de veículos, dicas de restaurantes, hotéis e destinos de passeios e viagens. Os irmãos André e Édouard, donos da marca, estavam tão confiantes e acreditavam tanto na ideia por trás dessa publicação que resolveram distribuir gratuitamente mais de  30 mil cópias da primeira edição aos franceses. Apesar de existirem apenas 2 mil automóveis em circulação no país na época, os empresários apostavam que esse número cresceria com o passar dos anos e que depois do contato com o útil guia criado pela empresa, os consumidores sempre se lembrariam primeiro da Michelin quando fossem trocar os pneus de seus carros.

O Guia Michelin tem 116 anos de história, e é considerado como um dos sistemas de classificação de restaurantes mais importantes do mundo. Atualmente, ele é adaptado para 20 países e seu critério de ranqueamento – com 1, 2 e 3 estrelas – representa o ápice do sucesso para os grandes chefs de cozinha internacionais.

Outro case de sucesso é o da empresa de alimentos Jell-o. Em 1904, com o slogan “A sobremesa favorita da América”, a marca lançou uma campanha de marketing baseada em pequeno livro de receitas em que todas tinham como ingrediente principal a própria gelatina, que era o principal produto comercializado pela empresa. O folheto, que era distribuído gratuitamente de porta em porta pelos vendedores da marca, era voltado principalmente para as donas de casa norte americanas. A ideia fez muito sucesso, tanto que em 1906 a Jell-o já havia alcançado a marca de US$ 1 milhão em vendas e mais de 15 milhões de cópias de receitas distribuídas.

A partir da década de 20, o rádio se tornou um dos meio de comunicação mais populares do mundo. Sendo assim, as empresas resolveram usar desse canal para divulgarem suas campanhas de marketing a fim de criar e manter um relacionamento com seus respectivos públicos. O principal exemplo disso foi o que fez a P&G que passou a investir em radionovelas patrocinadas pelos próprios produtos da marca, como Oxydol e Duz. Essa ação, inclusive, popularizou nos Estados Unidos o termo “soap opera” (novela, em português).

Em 1980, os gibis estimularam o crossover da televisão para esse canal de comunicação, conferindo fôlego e inovação para o marketing de conteúdo. E o melhor exemplo disso foi o que aconteceu com os quadrinhos de “GI Joe: o herói americano real”, produzido a partir de uma parceria entre a Hasbro e a Marvel. Para promover e divulgar o livro de desenhos, a Hasbro apostou na veiculação de uma propaganda de TV, ação inédita até então e que foi divulgada para todo o país de uma única vez. O resultado? Os quadrinhos de GI Joe foram um dos mais vendidos de toda a história da Marvel e o brinquedo produzido pela Hasbro estava na maior parte das casas de norte-americanos com crianças até 12 anos.

Considerada a era da democratização do marketing de conteúdo, a década de 90 é marcada pelo boom no uso de computadores e internet. Esse advento impactou diretamente no comportamento das pessoas em relação ao consumo de informação e fez com o que o foco em TV, rádio e mídia impressa diminuísse. Inúmeros sites e blogs começaram a surgir e as empresas viram aí uma maneira diferente de fazer marketing de conteúdo, tanto através dessas páginas quanto de emails.

Falando em blogs, eles se tornaram parte importante da estratégia de marketing de conteúdo. Apesar de inicialmente serem considerados como um espaço de diário virtual pessoal, as empresas passaram a enxergar o potencial que essa ferramenta poderia oferecer aos negócios. Afinal, aqui a mensagem pode ser personalizada, trabalhada com criatividade e as métricas de resultado conseguem avaliar a qualidade e o alcance dessas informações.

Século 21

Os anos 2000 são marcados pelo surgimento das redes sociais. Facebook, Twitter, Youtube, Linkedin, entre outros, deram fôlego ao mercado de comunicação além de oferecer uma nova – e excelente – oportunidade quando o assunto é atração e fidelização de clientes. Foi também no início do século XXI que o eBook ganhou popularidade e passou a ser umas principais escolhas de empresas para a produção de conteúdo rico e ao mesmo tempo interessante para o público alvo. Ebooks bem planejados e redigidos podem fazer de uma marca referência e líder em seu segmento de atuação, gerando poder de diferenciação em um mercado cada vez mais competitivo.

Um exemplo muito bem sucedido de execução de marketing de conteúdo na era das redes sociais é o da Red Bull Stratos, realizado em 2012. Nessa ação, planejada e patrocinada pela empresa de bebida energética Red Bull, o paraquedista Felix Baumgartner realizou um salto em queda livre da estratosfera que bateu ao mesmo tempo os seguintes recordes: salto mais alto de todos os tempos (39 mil metros), maior distância vertical percorrida (36 mil metros); primeira pessoa a romper a barreira do som em queda livre (373 metros por segundo). Do ponto de vista do marketing, a transmissão ao vivo da ação se tornou o vídeo com maior número de visualizações simultâneas (pico de 8 milhões de acessos) além de ter gerado um aumento direto de 7% nas vendas da bebida ao longo dos 6 meses seguintes ao salto.

 

Como vimos, o Marketing de Conteúdo é uma forma de divulgação de informações praticada desde muito tempo pelas empresas que desejam atingir o seu público de uma forma mais eficiente. Mas para atingir essa eficiência é preciso bem mais que um blog ou uma campanha com ebook. É preciso inteligência e estratégia.

Acompanhe nossas atualizações semanais e entenda como é possível melhorar a sua estratégia de Marketing de Conteúdo.

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23/09/2016 por Amanda Pereira      Marketing de conteúdo