Marketing digital: a mais nova “commoditie” da internet?

Muito se tem falado na internet sobre a própria internet. Negócios digitais estão prosperando e campanhas de marketing de conteúdo viram cases dia e noite. Fórmulas estão sendo criadas, produtos, agências e startups também. Tudo relacionado ao marketing digital.

Isso não é ruim. Pelo contrário, oferece a empresários uma gama incrível de possibilidades – além de baixar o preço médio dos serviços desse ramo. Profissionais liberais estão tendo, pela primeira vez, acesso a estratégias gringas ala Neil Patel de forma ‘abrasileirada’, simplificada e completamente adaptada para o público local.

O meio web oferece oportunidades incríveis para empreendedores. Sem medo de errar, sem preconceitos e sem – me desculpem a comparação – o glamour das agências de publicidade tradicionais, empresários estão prosperando mesmo sem nenhum planejamento. Mesmo sem saber uma ferramenta do Photoshop. Mesmo sem saber como funciona o power editor do Facebook. Mesmo sem saber como usar o Google Analytics.

A acessibilidade cada vez maior que as ferramentas de marketing digital estão proporcionando está colocando em cheque o legítimo trabalho de agências de marketing que se julgam essenciais. É claro que há setores e indústrias em que não existem alternativas simples de implementação do marketing digital, mas a maioria dos pequenos e médios empresários hoje possuem alternativas que antes não teriam.

Eu, como parte do meio das agências, reconheço essa transformação. Mas, feito o meu papel de advogado do diabo desse meio, tenho também que reconhecer os benefícios de se ter especialistas cuidando do marketing digital das empresas.

O sucesso em longo prazo exige consistência, contexto e dinamismo

A grande parte de pequenos e médios empresários que optam por tomar conta de suas estratégias digitais ‘sozinhos’ perde essa capacidade geralmente 6 ou 8 meses depois de a ter iniciado. Muitos deles a perdem em até 3 meses ou antes.

A grande questão do marketing digital e, claro, de outras prestações de serviços ou atividades, é relacionada – principalmente – à dedicação. Ou seja, ao tempo disponível que determinada empresa investe em estratégia e execução do marketing digital. A maioria das empresas considera que vai conseguir fazendo isso por meio de “gambiarras”: traz a assistente administrativa para postar nas redes sociais, o assistente comercial para cuidar das campanhas, e assim por diante.

Existem aqueles, também, que contratam uma pessoa e esperam que ela fará tudo – sem perder qualidade.

O problema é que a maioria das pequenas e médias empresas não está preparada – efetivamente – para ter um departamento de marketing. Por isso é muito comum que contratem agências para realizar esses serviços. Essa “tradição” está sendo questionada, muito pelo que falei acima, da democratização de ferramentas e do conhecimento – mas também pelo trabalho de baixa qualidade que as agências em geral vem executando. O processo de construção de estratégias e táticas de marketing digital está cada vez mais “óbvio” e por isso as agências acham que vão conseguir resultados apenas repetindo o que todos vem fazendo.

Vivo isso constantemente. Trabalho com uma inovação incremental no marketing digital – o inbound. Se trata de usar conteúdo (ebooks por exemplo) para gerar e qualificar leads (através da combinação perfil x comportamento) e aumentar a probabilidade de venda do comercial  – ou seja, fazer com que os contatos feitos pelo vendedor sejam mais certeiros.

No Inbound, principalmente, existem muitos aventureiros. Tanto dentro das empresas quanto nas agências. E essa é uma das grandes questões: não é por usar a metodologia em si que a estratégia vai dar certo. O marketing, como sempre, vive de criatividade e inovação! As empresas e agências, para conseguirem resultados relevantes, vão ter de ralar muito para construir o melhor conteúdo e a melhor campanha possíveis – assim como sempre foi.

E é isso que a maioria dos empresários e gestores de pequenas e médias empresas não entendem. Não é porque parece mais fácil fazer o negócio “virar” na internet que realmente é. Nosso trabalho ainda é intensivo em criatividade. E é por isso que as empresas estão com expectativas lá em cima, mas resultados lá em baixo. Os cases de sucesso ainda são poucos – como era de se esperar.

No entanto, a realidade não muda. As empresas vão precisar de consistência para gerar valor ao longo prazo. A consistência é uma das maiores dificuldades das empresas no que tange ao marketing – pois precisa de três coisas essenciais: confiança, planejamento e execução. É essencial testar e medir o tempo todo para que as fases de planejamento sejam cada vez mais assertivas. É importante ter confiança para seguir o rumo planejado mesmo que ele “pareça” errado.

Por fim, o marketing digital é um laboratório cheio de itens e ferramentas – e as pessoas, empresários, gestores de empresas estão começando a ter acesso à toda essa gama de possibilidades. No entanto, no fim do dia, apenas quem entende e acumulou experiências de misturas erradas, fórmulas explosivas, produtos corrosivos, consegue chegar com um produto final de impacto. Agora, mais do que nunca, é hora de valorizar os especialistas.

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01/09/2016 por raphaelcrosa      Marketing Digital